Longevidade, vivendo na zona azul

Todos nós habitamos este belo planeta e, por mais que sejamos diferentes, vivemos integrados através das ações fundamentais da vida – dormir, acordar, comer, beber, se movimentar, pensar, sentir e se relacionar.

Estes aspectos influenciam diretamente nossa saúde, a qualidade e a duração das nossas vidas. É fato que algumas pessoas são mais saudáveis do que outras e que alguns indivíduos vivem em mais do que outros.

Determinadas regiões ao redor do mundo apresentam uma população com alto índice de saúde e longevidade. Estes locais foram chamados de “zonas azuis”.

O conceito das zonas azuis se desenvolveu a partir do trabalho demográfico de Gianni Pes e Michael Poulain, que identificaram a província de Nuoro da Sardenha como a região com a mais elevada concentração de centenários do sexo masculino do mundo.

Dan Buettner e sua equipe se uniram à National Geographic para ampliar essa pesquisa e descobrir onde estão as pessoas mais longevas e quais fatores contribuem para isso.

Eles identificaram cinco áreas geográficas espalhadas ao redor do planeta, incluindo povoados na Grécia, Costa Rica, Itália, Japão e Califórnia.

Essa experiência resultou no livro “A solução das zonas azuis” (“Blue Zones, Lessons for Living Longer from the People Who’ve Lived the Longest), em que Dan Buettner oferece uma explicação, com base em dados empíricos e observações de primeira mão, do porquê estas populações vivem mais e com mais saúde.

Certamente podemos aprender muito observando os elementos em comum no estilo de vida das pessoas mais longevas e saudáveis. Ainda de acordo com os pesquisadores, a expectativa de vida média de uma pessoa pode aumentar de dez a doze anos ao adotar os hábitos mais importantes presentes nas zonas azuis.

A Sardenha tem a mais alta concentração de centenários do sexo masculino do mundo.

As cinco regiões que atenderam aos critérios dos pesquisadores foram:

Barbágia da Sardenha – região de planaltos montanhosos do interior da Sardenha com a mais elevada concentração de centenários do sexo masculino.


Icária, Grécia – ilha egeia com uma das menores taxas de mortalidade de meia idade e as menores taxas de demência.


Península de Nicoya, Costa Rica – apresenta as menores taxas de mortalidade de meia idade do mundo e a segunda mais alta concentração de centenários do sexo masculino.


Adventistas do Sétimo Dia – sua maior concentração está ao redor de Loma Linda, na Califórnia. Eles vivem dez anos mais do que suas contrapartes norte-americanas.


Okinawa, Japão – as mulheres com mais de setenta anos de idade são a população mais longeva do mundo.


De acordo com esses achados, Dan Buettner reuniu um time de médicos, antropólogos, demógrafos e epidemiologistas para procurar por denominadores comuns entre estes cinco lugares e descobrir quais elementos são decisivos para a longevidade.

As zonas azuis estão em diferentes partes do mundo, com características climáticas, culturais e históricas bem distintas, mas o estilo de vida de seus habitantes, de acordo com a pesquisa, tem nove fatores em comum.

Tendo como base estes nove fatores, elaboramos as dicas abaixo para que você tenha uma vida mais longa, saudável e feliz:

  1. MOVIMENTE-SE NATURALMENTE
    Nestes locais, o movimento é parte natural da rotina. Atividades como o cultivo de jardins e hortas, marcenaria, locomoção e um cotidiano sem as comodidades modernas, faz com que seja necessário o uso de trabalho braçal para que as coisas aconteçam.

Os homens sardenhos, por exemplo, criam animais, quase sempre vivem em encostas íngremes e caminham longas distâncias todos os dias para trabalhar. A movimentação acaba sendo uma exigência do dia a dia e é algo e acontece constantemente.

Quer você esteja praticando jardinagem, caminhadas, preparando a comida ou outras atividades, o movimento irá ajudá-lo a melhorar sua saúde.

O exercício faz parte da rotina diária através de jardinagem, caminhadas e trabalho na cozinha.

  1. CONHEÇA E CULTIVE SEU PROPÓSITO
    As pessoas nas zonas azuis tendem a ter um forte senso de seu propósito de vida, conhecido como ‘ikigai’ em Okinawa ou ‘projeto de vida’ em Nicoya, o que se pode traduzir como ‘a razão pela qual se deve levantar pela manhã’.

Este propósito, que também está associado à sensação de pertencimento, geralmente traz benefícios para outras pessoas e para a comunidade, é algo que traz ânimo, satisfação e apreciação pela vida. De acordo com Dan Buettner, este senso de propósito pode acrescentar até sete anos a mais em sua vida.

  1. ADMINISTRE O ESTRESSE E ELIMINE O ESTRESSE DESNECESSÁRIO
    O estado de estresse crônico é a principal causa de doenças e de infelicidade no mundo hoje. Ele leva à inflamação sistêmica, que está associada com as principais doenças relacionadas à idade.

Momentos de estresse são parte da vida e até mesmo saudáveis, e certamente os habitantes das zonas azuis também os enfrentam, mas o modo como lidam com o estresse faz toda a diferença.

As pessoas mais longevas do mundo sabem eliminar o estresse desnecessário e administrar o estresse inevitável.

De alguma forma, cada uma destas culturas desenvolveu rituais (ou costumes) que são benéficos para mitigar o stress.

É comum para os Okinawa que as pessoas parem por alguns momentos todos os dias para relembrar seus ancestrais. Já os adventistas, tem sua pausa para realizar orações. Há certa similaridade com aquilo que fazem os icarianos, para os quais o período do cochilo é algo sagrado, e os sardenhos, com sua ritualística celebração de happy hour.

A lição aqui é desenvolver maneiras saudáveis de apreciar a vida e descarregar as tensões naturais do dia a dia.

  1. SIGA A “REGRA DOS 80%”
    A restrição calórica e o jejum intermitente são práticas comuns nas zonas azuis. Os okinawanos recitam antes das refeições um mantra de Confúcio de 2.500 anos atrás, ‘Hara hachi bu’, que significa aproximadamente “coma até que sua barriga esteja 80% cheia”. Isto faz com que eles parem de comer antes do correrem o risco do excesso, ajudando a prevenir o ganho de peso e o surgimento de doenças.

Os icarianos, tipicamente cristãos ortodoxos gregos, praticam o jejum em feriados religiosos, em momentos diferentes durante todo o ano. Pesquisas demonstram que o jejum estimula a renovação das células (autofagia), fortalece o sistema imune e reduz o risco de desenvolver doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

Ter um senso de propósito responde por até sete anos a mais de expectativa de vida.

  1. ALIMENTE-SE COM COMIDA DE VERDADE
    Um aspecto em comum de todas essas regiões é o baixo consumo de produtos industrializados e refinados. Vegetais frescos, frequentemente cultivados nos quintais, produtos animais de boa qualidade, grãos e leguminosas preparados tradicionalmente (com demolhagem, fermentação e outras técnicas para eliminar antinutrientes) constituem a dieta típica.

Outros fatores importantes são a quantidade e a frequência. Essas populações longevas comem porções menores e param de comer antes de estarem completamente saciadas, além disso não comem várias vezes ao dia, e param de se alimentar no fim da tarde ou no comecinho da noite, com uma refeição leve.

  1. CULTIVE UM CONJUNTO DE VALORES ELEVADOS QUE TE INSPIREM E ORIENTEM
    A fé e a dedicação à princípios morais e espirituais desempenha um grande papel na vida dos habitantes das zonas azuis. Usualmente este conjunto de crenças e princípios fortalece o vínculo entre as pessoas, criando um senso de pertencimento que provê suporte social e pode ajudar a aliviar a depressão e a solidão.

Todos os 263 centenários entrevistados (exceto cinco) pertenciam a alguma comunidade com base na fé. A denominação não é tão importante.

Pesquisas demonstram que participar de serviços baseados em princípios altruístas e espirituais quatro vezes por mês aumenta a expectativa de vida de quatro até catorze anos.

  1. COLOQUE SUA FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR
    Nas zonas azuis, as famílias são mantidas por perto. Isso muitas vezes inclui os pais com mais idade morando na mesma casa ou bem próximos dos outros membros da família.

Essa proximidade é especialmente importante para o convívio social dos mais velhos, contribuindo muito para a saúde e o equilíbrio mental e emocional. Interessantemente, estudos mostram que ter pais e avós por perto também diminui as taxas de doenças e mortalidade das crianças na casa.

As pessoas que moram nas zonas azuis comem uma dieta baseada em comida de verdade.

  1. ENCONTRE SUA “TRIBO”
    Conviver com aqueles em quem confiamos e com os quais temos afinidade reforça nossas qualidades e nos traz um benéfico senso de segurança e pertencimento. Estar cercado de pessoas que promovam comportamentos saudáveis e positivos é ainda mais importante.

As pessoas mais longevas do mundo escolheram ou nasceram em círculos sociais compatíveis com comportamentos saudáveis. Os okinawanos criaram os ‘moais’ – grupos de cinco amigos que se comprometem uns com os outros por toda a vida.

Pesquisas a partir dos Estudos Framingham mostram que o tabagismo, a obesidade, a felicidade e até mesmo a solidão, são todos contagiosos. As conexões sociais das pessoas mais longevas contribuem favoravelmente para os seus hábitos e atitudes saudáveis.

Somos também produto de nosso meio. Escolha bem o meio ao qual pertence!

  1. EVITE TOXINAS, INCLUINDO O ÁLCOOL
    Todas as regiões pesquisadas são relativamente livres de poluentes pesados, como os encontrados em áreas industriais e urbanas densamente povoadas.

Além disso, quando há consumo de álcool, este é baixo ou moderado, sendo que a principal bebida consumida é o vinho, feito artesanalmente a partir de uvas orgânicas, portanto oferecendo polifenóis benéficos.

Outro fator importante é que existe pouco consumo de produtos e cosméticos industrializados, outra grande fonte de toxinas, com ingredientes de baixa qualidade e aditivos químicos diversos.

Fonte: trecho de artigo extraído site www.flaviopassos.com

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