Menstruação: a Força da Mulher

No livro: A mulher no corpo de xamã, Barbara Tedlock nos mostra a visão xamânica sobre a menstruação e o papel da mulher no mundo, baseada seus estudos antropológicos.

Porque as mulheres possuem maior poder de cura durante o período menstrual.

Dentro dos escuros fluidos de sangue que ocorrem a menstruação e o nascimento reside a essência viral da forma mais feminina da energia espiritual.

Concentrada e profundamente misteriosa, essa força toca todas as mulheres e as conecta a uma fantástica tradição xamanística. A compreensão dessa energia e da rica teia de mitos e símbolos que a envolvem, nos ajudará a ver com mais clareza as mulheres em seus papéis transcendentes.

Os hormônios femininos têm papel crucial nas habilidades xamanistas das mulheres. Logo antes e durante a menstruação as mulheres exercem com mais vigor seus poderes de cura e de profecia. As oscilações de humor e a sensibilidade exacerbada desse período do mês, que no Ocidente tem sido denominada de TPM e é tratada como uma doença, são, na verdade, manifestações de um estado de consciência alterado, resultante da biologia feminina.

Junto à receptividade ao transe e ao êxtase há outra vantagem: como os níveis de estrogênio aumentam no corpo da mulher, os níveis de neurotransmissores também se elevam, aumentando a quantidade de adrenalina disponível para sessões extenuantes de cura que duram a noite inteira.

As flores como força feminina de vida

As energias positivas do sangue são celebradas em um simbolismo visual e literário complexo que engloba imagem de flores e está ligado às fases da lua. O sangue feminino é exaltado em muitos lugares como a “flor”do útero.

No mundo da botânica o objetivo das flores é produzir frutos e gerar novas plantas de suas espécies. Por analogia, como as flores contêm novos frutos, então o sangue uterino contém a essência das gerações futuras.

Na Bíblia, o sangue menstrual é chamado de “a flor que precede o fruto do útero” (Levítico). E quando uma menina menstrua pela primeira vez dizem que “gerou a flor”. Em francês _les fleurs_ ou as flores, é o nome do primeiro fluxo menstrual de uma menina.

Entrando no fluxo do tempo

As fases da Lua foram usadas para marcar a passagem do tempo. Todas os meses a lua cresce, fica cheia, mingua e depois desaparece por três noites antes de renascer como a “Lua Nova”. Embora o desaparecimento da Lua não seja definitivo, seu ciclo recorrente conecta-se com os ritmos da vida: concepção, nascimento, morte e renascimento.

Cultura após cultura, a Lua simboliza a renovação, a imortalidade e a eternidade. As fases da lua cheia e minguante, cheia e minguante tem sido também vista como controladoras das marés dos oceanos e do período menstrual. Assim, a palavra lua em grego _meme_, significa “medida de tempo ” e é uma raiz da palavra menstruação.

Sincronia menstrual e isolamento

Estudos científicos indicam que as mulheres que vivem juntas em pequenas comunidades tendem a harmonizar seus períodos menstruais por vivenciarem padrões similares de luz noturna. Na maioria das mulheres, a ovulação é provocada pela lua cheia.

Na Austrália entre o povo yolngu, as primeiras menstruações de uma menina são consideradas tão benéficas e poderosas que as mulheres mais velhas guardam um pouco desse sangue para usar mais tarde durante os rituais que marcam sua maturidade. A cada período até que a menina atinja seu pleno crescimento, as mulheres massageiam o sangue recolhido em seus ombros para estimular o seu desenvolvimento.

Mulheres que não menstruam -as que estão grávidas ou na menopausa- são encorajadas a menstruar, narrando a história do primeiro dia do sangramento feminino por meio de figuras de cordas.

A iniciação ao sangue e ao xamanismo

Em qualquer lugar onde o xamanismo detém uma tradição feminina diferenciada, as experiências e as curas ligadas aos rituais de puberdade com frequência conduzem à iniciação de uma adolescente.

No início do século XX, Lucy Thompson, uma mulher do Norte da Califórnia, de descendência Yorok, publicou uma história na qual relatou que o xamanismo era transmitido só pela linhagem feminina.

Mulheres fortes com potenciais xamânicos eram selecionadas como noviça logo após seu primeiro período menstrual. No ritual de iniciação, a jovem vai às montanhas sozinhas por 10 dias, a fim de banhar-se em um laguinho sagrado, em busca da visão. São dez dias de meditação e no último dia banha-se à meia-noite parada no meio do lago, entre o poder da água e o da lua. Então, reza em voz alta para a Mãe Céu pedindo-lhe vida longa, força, riqueza e um dom especial ou uma aptidão. Depois mergulha fundo no lago e traz uma concha como lembrança de sua experiência.

Vergonha, medo e inveja da menstruação

O registro etnográfico é abundante em descrições de medo, raiva e a versão dos homens em relação às mulheres menstruadas.

No cristianismo, a tradição da maldição do fluxo menstrual e da dor do parto são levados desde a desobediência de Eva. Até hoje o sangue feminino é considerado impuro pela igreja católica.

Na sociedade ocidental, as mulheres escondem seu período menstrual na linguagem. Estudos demonstram que muitas meninas escondem seu primeiro fluxo das mães e partilham com outras jovens .

Outra razão para as meninas sentirem vergonha vem dos primórdios da Revolução industrial. Os homens duvidavam que as mulheres fossem aptas a trabalhar no mesmo ritmo que eles.

Sim, eles acreditavam que as mulheres podiam perder quanto a força física quando estão menstruada. Estudos recentes revelaram que, há algum declínio quanto à força física, porém o pensamento criativo e a solução de problemas aperfeiçoam-se antes e durante a menstruação.

Orgulho do fluxo menstrual

A vergonha em relação à menstruação que faz parte da cultura ocidental é uma questão de cultura em guerra com a natureza.
Philip Deere, um homem santificado Muskogee, disse: ” A mulher é igual ao homem, só que numa determinada idade muda para outro estágio de vida. Ao longo desse estágio purifica-se naturalmente todos os meses”.

Caminhos femininos xamanistas

Os caminhos femininos enfocam o nascimento: as mulheres recebem o chamado durante sua primeira menstruação ou na gravidez e são simbolicamente criadas na profissão.

Atualmente, mulheres independentemente de suas afiliações étnicas ou religiosas, podem realizar rituais lunares celebrando o feminismo divino. Durante esse período especial, podem fazer peregrinações a lugares sagrados para criar uma harmonia com seu bioritmo natural.

As mulheres no movimento deificador espiritual recolhem o sangue menstrual e o usa para alimentar plantas caseiras ou pingam no papel para trabalhos artísticos. Ao invés de ser algo embaraçoso, feio e perverso, o sangue menstrual se torna uma forma material da energia sutil, que limpa e é criativa e poderosa.

Fonte:
Trechos do livro A Mulher no corpo de xamã, Barbara Tedlock
compilado por Margareth Oliveira

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Adriana Capopizza

Adriana Capopizza

Terapeuta especialista em autodesenvolvimento e Autocura através de técnicas de Radiestesia, Numerologia, Terapia Floral e Quântica, Meditação e sessões de Interiorização. Formação: Bioquimica-Farmácia, Naturopatia, Terapia Floral Brasileira, Radiestesia, Radiônica Tradicional e Quântica, Yoga, Meditação ativa, Numerologia, Toque Vibracional, Acupuntura, Tarot, Magnified Healing, entre outras.
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