As 7 Leis que regem tudo

As 7 leis que veremos aqui, são conceitos muito antigos, que foram passados de geração a geração e explicam o funcionamento do universo e do homem. Podem ser aplicados a todas as áreas de sua vida.  São os 7 princípios de Hermes Trismegisto, contidos em uma obra chamada “Caibalion”. 

O que se atribui a Hermes é a obra de uma pessoa que teria vivido no Egito, de nome Toth, que é reverenciado como uma divindade. Há 2.000 anos antes de Cristo, mais ou menos, na cidade de Tebas, que era o centro administrativo do Egito, teve o aparecimento desse grande homem, que revolucionou a forma de pensamento, sendo atribuído a ele a invenção da astrologia, a descoberta da alquimia, a fundamentação de todas as ciências incluindo as ocultas. Ele foi o grande hierofante que teria dado início a todas as escolas de iniciação que afloraram no Egito, como a de Tebas, que é hoje Luxor, onde estão as ruínas de Karnac.

A palavra Caibalion é composta por duas palavras: Cabala mais Ion; Cabala indica a tradição e Ion, ente superior manifestando-se. Então, é a manifestação de um preceito, de uma tradição superior.

Primeiramente, vamos falar de quais são os sete princípios. O primeiro é o Mentalismo, o segundo Correspondência, o terceiro Vibração, o quarto Polaridade, o quinto Ritmo, sexto Causalidade e o sétimo do Gênero.

Cada um deles tem um axioma, que está contido no Caibalion. Todos esses axiomas, exceto o primeiro, a ciência de certa forma já comprovou. Isso se aplica dentro da metodologia científica.

O primeiro princípio diz que “O Todo é mente. O Universo é mental”.

Para fazermos qualquer tentativa de explicarmos esse princípio, nós temos que buscar aquilo que nós conhecemos, fazendo um paralelo com o homem. Como o homem cria as coisas?  Ele cria através de elementos que vai buscar em seu meio onde vive e os transforma; essa é uma concepção para criação. Mas essa concepção para a Criação do Todo não faz sentido, pois o Todo não pode tirar nada que esteja fora Dele. Essa linha de criação humana não vale. Outro exemplo de criação humana é a concepção de um filho, mas para conceber um filho precisa-se de uma parceira ou de um parceiro; vai buscar fora. Também esse tido de criação não vale para o Todo.

O único tipo de criação possível para o ser humano, que não depende de elementos externos é a criação mental. O homem pode fazer uma criação mental!

E aí tem uma extensão desse primeiro axioma que diz “Enquanto o Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo”.

Legal não é? Por isso que a palavra hermética tem esse significado: selado, fechado, confinado, mas se formos procurar no “Aurélio” a palavra hermenêutica, ela tem por significado o ato de interpretação das palavras. Então é meio paradoxal. Ao mesmo tempo em que está lacrado, fechado, ela também revela, desde que a pessoa tenha olhos para ver.

Então diz, que “Enquanto o Tudo está no Todo, é também verdade que o Todo está em Tudo”. Vamos fazer um exercício aqui.

Exemplo: um livro escrito por um escritor. Ele elabora o roteiro, as situações e cria lá seus três personagens: João, Maria e José. Aí, ele resolve adaptar esse livro para ser apresentado em uma peça teatral. Quando nós vemos lá que o todo está em tudo e o tudo está no todo, seguindo esse exemplo, começamos a visualizar o que ele está querendo dizer com isso. Ele criou mentalmente, materializou em uma unidade e podemos dizer que o João é parte do escritor, pois é sua criação. O tudo [João, Maria e José] está no todo, mas não individualmente. O João não pode falar “Eu sou o Escritor”, mas sim “Eu sou parte do Escritor”, parte do que o Escritor pensa.

Então para nós chegarmos, pelo método racional, à conclusão do que ele quer dizer com esse axioma é isso.

Vamos passar ao axioma seguinte que diz: “O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima”.

O hermetismo divide os planos de existência em três, os planos: físico, mental e espiritual, sendo que cada um desses planos é por sua vez dividido em sete subplanos. Para o plano espiritual não são ditas muitas coisas, a não ser que está relacionado aos adeptos e seres muito elevados. O plano físico vai desde a matéria sólida, líquida e gasosa, atômica, subatômica, chegando até ao nível de energia, calor, magnetismo, forças de atração molecular e a gravitacional. O plano mental consiste no mundo de formas pensamento, envolvendo os elementos mineral, vegetal, animal e hominal.

É apresentado, ainda, um processo que consiste na infusão e na efusão, ou seja, uma involução e uma evolução. O processo de involução vai desde o plano mais elevado até o ponto axial da materialidade. Essa é a imagem do mergulho na matéria, o anjo caído e a volta ao seio do Senhor, que todas as religiões falam. O homem se fazendo deus.

Aquela visão anterior que tivemos em o Todo em Tudo é o Tudo voltando ao Todo, mas na mais perfeita expressão.

Pergunta: Essa subida ensejaria um novo processo de volta para a matéria? [alusão à reencarnação].  

Resposta: Não é a volta para a matéria, mas sim volta à fonte da criação. É a ressureição, dita pelo catolicismo, que não está errada na sua colocação. Não são conflitantes os conceitos de ressureição com da reencarnação. A reencarnação compreende o processo de sucessivas vidas na matéria e a ressureição é a saída definitiva desse processo.

O terceiro princípio diz: “Nada está parado. Tudo move. Tudo vibra”.

O que ele quer dizer com isso? É o estado da impermanência. Não existe nada que seja permanente.

Por exemplo, se nós pegarmos qualquer objeto, perceberemos seu material, se é ou não liso, duro, flexivel… Mas, se nós formos analisar do que é feito, vamos verificar que sua estrutura é atômica.

O átomo, na sua forma mais simples, apresenta-se com um núcleo, composto por um nêutron e um próton, de carga elétrica positiva e um elétron de carga elétrica negativa, que circunda o núcleo, que é a molécula de hidrogênio. Hoje, existe a idéia de que o átomo é divisível.

Agora, voltando ao objeto, ele tem essa estrutura atômica. Essas partículas físicas, que são diminutas.

Se fossemos reunir toda a matéria existente na Praça da Sé, por exemplo, incluindo a catedral, unindo somente as partículas de neutros, prótons e elétrons, talvez toda essa matéria não caberia na cabeça de um alfinete. É absurdo isso. Então, mesmo ao nível da materialidade em que vivemos, a matéria é muito tênue, cercada de vazios e é esse vazio que se pesquisa hoje, que acreditam ser o éter.

Vocês poderão falar, mas, se eu sou constituído de átomo e esse objeto é também de átomo e tudo é praticamente vazio, por que minha mão não passa por dentro dela? Porque minha mão não toca no objeto. Parece que toca, mas não toca. Os átomos por serem constituídos de vários elétrons, de carga negativa, determinam a repulsão. Negativo com negativo se repelem.

Nós falamos em três dimensões e a vibração pode ser a quarta dimensão. A intensidade da vibração é a que constitui os diferentes planos. Tudo é uma questão de vibração. Quando ele fala “Tudo vibra” é isso que está sugerindo. Quanto mais vibra mais se eleva aos planos superiores.

Agora, a vibração não é somente das partículas; ela se dá nesse campo também aqui [nos “vazios” etéreos] e é aí que ocorrem os trabalhos da indução, da telepatia. Se você tem vazios entre partículas, átomos e moléculas, você pode atuar nesse campo etéreo e realizar obras. É onde se verificam as transmutações, os milagres.

O próximo princípio é o da polaridade que diz: “Tudo é duplo. Tudo tem dois pólos. Tudo tem o seu oposto. O igual é o desigual são a mesma coisa. Os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”.

Vamos pegar um exemplo. Calor e frio. O que é calor e o que é frio. Não existe um conceito. O que é calor para um não é para outro.

Vai lá em Manaus e com a temperatura de 28º eles consideram que está frio. Agora, você vai ao Alaska e com 5º positivo, os esquimós estarão de bermudas, tomando uma limonada.

Agora, no que se refere aos extremos serem muito idênticos em sua natureza podemos dizer que tanto o calor como o frio, queimam.

Vamos dar um outro exemplo, o bom e o ruim, ou melhor, o bem e o mal, para dar uma conotação mais ampla. O que é bem e o que é o mal? Alguém consegue definir? Você pode falar que o bem é ausência do mal, mas não é absoluto.

Se você pegar a criatura mais ignóbil, mais pérfida existente no mundo, você irá encontrar algo de bom nela. No mínimo, para os seus filhos, ela tem alguma relação de bondade.

Por isso que ele fala aqui, tudo tem dois pólos e seus apostos idênticos em natureza, mas diferentes em grau. O que diferencia é o grau.

Pergunta: Como podemos dizer que a luz e as trevas são a mesma coisa?

Resposta: As trevas existem por ausência da luz. Mas tem meia luz, a penumbra. Não existe verdade absoluta. Tudo é meia-verdade. O bem absoluto não existe da mesma forma que não existe o mal absoluto [ao menos em nosso plano]. Tudo é uma questão de grau.

Podemos dar um outro exemplo, como a coragem e a covardia. Quem diz que coragem é realmente coragem ou é uma forma de não deixar transparecer o medo? Ou o medo revelado é a verdadeira coragem de assumir os seus temores? A gente não sabe. Tudo é relativo. Não se pode falar que a pessoa é corajosa ou medrosa, pois é situacional.

Vamos falar do ritmo. “Tudo tem fluxo e refluxo. Tudo tem suas marés. Tudo sobe e tudo desce. Tudo se manifesta por oscilações compensadas. A medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda. O ritmo é a compensação”.

É o equilíbrio e o desequilíbrio. Diz e contradiz.

Nós podemos desenhar aqui dois pontos, sendo os dois extremos. Positivo e negativo, para sintetizarmos as polaridades. Tudo se equaciona dentro dessas polaridades. Ele fala que tudo tem seu fluxo e seu refluxo. Tudo vibra dentro de ondas. Isso é o que nós aprendemos sempre aqui, representada pelo ouroboros, a suástica, a roda de samsara, os manvantaras e pralayas, é a respiração, são as ondas do mar, a maré cheia, a maré vazante, as estações do ano, o batimento do coração.

Como um pêndulo, que tem um movimento para cima que remete para baixo, o mesmo movimento da esquerda é o da direita.

Quem desenvolveu essa tese de forma muito primorosa foi o Jung.  A psicologia junguiana é toda alicerçada dentro desse princípio. Ele observou que os pacientes que tinham sucesso no tratamento psicoterapêutico eram aqueles que deixavam as coisas fluírem. O que é deixar as coisas fluírem? Eles davam atenção aos símbolos que vinham através do inconsciente, ou seja, através dos sonhos ou através de fatos ocorridos que eles davam importância, que ele chamou de sincronicidade. Então, ele pesquisa e descobre que esses elementos [símbolos] são os arquétipos ou conteúdos do inconsciente coletivo.

Através desse processo, em que você trabalha com os arquétipos e deixa essas mensagens aflorarem, faz com que o consciente ilumine o inconsciente e o inconsciente enriquece o consciente. É um processo de troca mútua de forma que o consciente vai se ampliando.

Por isso que se fala tanto “Vamos-ampliar-o-consciente” ou “Deu-um-salto-de-consciência”. São jargões que se usam, mas para ampliar a consciência precisa-se trabalhar muito, requer muita disciplina.

Você não neutraliza a oscilação. Você reduz o ritmo e esse é o trabalho da alquimia. O trabalho alquímico consiste em ter o domínio do ritmo.

O quinto princípio da causalidade está relacionado com esses axiomas anteriores. Diz que “Toda causa tem o seu efeito. Todo efeito tem sua causa. Tudo acontece de acordo com a lei. O acaso é simplesmente um nome dado a uma lei não conhecida. Há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à lei”.

A causa e o efeito não estão circunscritos ao nosso plano físico. Por isso que existe a palavra acaso. Se você pegar o “Aurélio” e procurar a definição para acaso você vai encontrar… Não lembro literalmente, mas é mais ou menos o seguinte: é aquilo que se origina de causas não conhecidas [1. Conjunto de pequenas causas independentes entre si, que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas]. Ora, se elas não são conhecidas, logo você não pode simplesmente negá-las.  É um efeito de uma causa desconhecida.

Na realidade a palavra acaso deriva do latim que significa jogar dados. Mesmo no jogo de dados não existe o acaso, pois se você jogar durante um período de tempo, estatisticamente todos os resultados vão se apresentar de forma uniforme. Que causa é essa? Não se sabe. É uma causa desconhecida.

Então, essa assertiva nos remete à lei da causa e efeito que nós falamos tanto aqui que é o Karma.

O próximo princípio é: “O gênero está em tudo. Tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino. O gênero se manifesta em todos os planos. Todo o princípio macho tem o seu lado fêmea e todo princípio fêmea tem o seu lado macho”.

Isso é em todos os planos, não somente no físico, mas também nos mais sutis.

Agora, o aspecto da sexualidade é existente no plano físico e os dois pólos estão contidos dentro da mesma pessoa. A sexualidade é a energia criativa. O mau uso da sexualidade pode ser uma deturpação. Desde que seja bem direcionada ela tem um poder altamente criador. Um exemplo disso são os grandes pintores. Você estuda a vida de um Gauguin, Van Gogh, Da Vinci, Rafaello, Michelangelo, não tinham praticamente uma vida profana, eles viviam para a arte. O que era aquilo? Era a transmutação da energia sexual na mais pura e sublime arte.

Então, o objetivo dentro desse processo de reconciliação como vimos lá, onde diz que todos os opostos são reconciliáveis, todos os paradoxos são reconciliáveis.

Nós vemos aqui que dentro da questão do gênero, o objetivo é a pessoa ter a sua própria sexualidade harmonizada dentro de si, mas não como o celibato imposto, castrador, porque estará reprimindo o desejo, a libido.

O objetivo é harmonizar de tal forma que a pessoa seria um andrógino. É lógico que isso não é para o nosso plano de desenvolvimento ainda. Por isso você vê que os grandes adeptos têm algo de assexuado, tem algo de andrógino e a palavra hermafrodita aglutina as palavras Hermes e Afrodite. Mercúrio é uma figura andrógena. Não tem nenhuma alusão a homossexualismo.

De fato, de acordo com o que diz aqui, o gênero sempre continua a existir, só que de uma forma mais sutil.

Pergunta: E os anjos?

Rose: Os anjos, afirma-se que não tem sexo, mas uma vez que eles fazem alguma tarefa, a polaridade existe.

 

Todos esses princípios, são altamente perturbadores, mas da mesma forma, libertadores.

 

Palestra dada por Antonio Carlos Jorge, compilada por Portal Zen Daat

 

Fonte de consulta:

www.teosofia-liberdade.org.b

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